O futuro das APIs e o poder das autobahns

Na disputa entre soluções baseadas em hardware contra soluções baseadas em software o placar anota Sw 7 x Hw 1 (Gott sei danke) . E se o software será o Rei do pedaço então a joia da coroa será de quem dominar o desenvolvimento de APIs (application programming interface).

É possível constatar o domínio do software em detrimento do hardware, seja no mercado de virtualização de rede e segurança ou mesmo nas soluções de Cloud, é uma mudança que vem ocorrendo com o tempo e tem como principais benefícios e objetivos: reduzir TCO e overhead administrativo, simplificar a determinação de problemas, deploy etc.

As soluções baseadas em hardware não vão deixar de existir, mas serão soluções de nicho para atender a necessidades bem específicas. Quer exemplo de fabricantes que desapareceram? Tente se lembrar dos produtos destes fabricantes que caíram pelo caminho? /HP/IBM/3COM/Siemens/Nortel/Nokia e outros.

Na contra mão da minha afirmação, existem alguns produtos como o Super Cluster da Oracle “Engineer  System”. Baseado na junção de servidores T5, Exadata, ZFS, rede Infiniband(40 Gb !) e agora módulos de hardware exclusivos para virtualizar aplicações em Java. É o casadinho, software + hardware especialista que “entrega” um produto diferenciado não comparável aos demais produtos da concorrência. Durante muito tempo o iPhone foi um exemplo muito bom deste casamento único de hardware e software.

Vou abstrair o exemplo do produto da Oracle, pois não são todas as empresas que podem comprar este tipo de solução. Acredito que as soluções baseadas em appliance terão vida apenas se deixarem de ser commodity como é o caso da Oracle, ademais continuo afirmando que o software venceu o hardware.

Tive acesso ao estudo do Gartner sobre o Nexus das Forças, num encontro do Open Group numa apresentação da empresa Sensedia. No estudo o Gartner descreve o papel das quatro forças que representam as tecnologias do futuro e que se completam, é o Nexus das Forças.

As forças consideradas são inovadoras, e se adotadas em conjunto podem ser disruptivas. Na teoria, quando as forças forem amplamente exploradas sua atuação conjunta será revolucionária no ambito sócio econômico e mudará o comportamento das pessoas, transformando os modelos de negócios e criando novas empresas/negócios. O aplicativo Ubber é um exemplo deste novo modelo disrruptivo de negócios, junte-se mobilidade, social e big-data e você entenderá o motivo pelo qual taxistas do mundo inteiro se unem contra a utilização do aplicativo que “destrói” o modelo convencional de transporte de passageiros.

nexus-of-forces

Sobre as forças descritas pelo Gartner. São elas:

Social que são as mídias sociais e seu profundo impacto na mudança de comportamento das pessoas e empresas.

Informação que é a Internet e o efeito do acúmulo de informações “big data” principalmente a disponibilização da informação universalizada e instantânea sobre vários contextos diferentes. BI de marketing, internet das coisas e outros derivados.

Cloud que é a possibilidade de utilizar poder computacional em nuvem e permite a utilização de serviços a preços muito menores do que através do modelo de compra e utilização convencional de TI além da possibilidade de colaboração em tempo real.

Mobilidade, é o uso crescente de dispositivos móveis que transforma cada usuário de smartphone ou tablet num funcionário móvel que pode gerar negócios em tempo real onde quer que esteja.

São essas quatro forças que juntas já estão direcionando investimentos de TI e transformando profundamente a vida das pessoas e a forma de fazer negócios, lazer etc.

Não quero que o leitor pense que estou enrolando, falei do software, falei do Nexus das Forças agora sem mais milongas falarei das APIs, o que elas têm a ver com tudo isso?

Segundo a definição que encontrei no Wikipedia para APIs:

“Na programação de computadores, uma interface de programação de aplicativo (API) é um conjunto de rotinas, protocolos e ferramentas para a construção de aplicações de software. Uma API expressa um componente de software em termos de suas operações, entradas, saídas, e os tipos subjacentes.”

Gosto mais da definição que ouvi do pessoal da Sensedia: que as APIs funcionam como uma espécie de “cola” e tem como objetivo operar como links entre dois aplicativos com abstraída dos sistemas origem e destino, provedor e fornecedor. Parece um pouco a definição de serviço SOA voltado ao mundo não transacional.

Um exemplo para o leitor que não é familiarizado com as APIS. Quando um usuário tenta acessar um site qualquer, Smart.com, que ainda não tenha o seu cadastro para acesso as áreas restritas do site, o caminho natural seria preencher um cadastro interminável com nome da mãe, pai etc. Mas lembre-se que o nosso site é smart, e ele irá consumir uma API de integração do cadastro do Facebook/LinkedIn/Etc para facilitar a vida do usuário. Como funciona isso? O Smart.com em irá aceitar como login as credenciais da rede social como válidos para acessar ao conteúdo restrito, salvando tempo do usuário e a necessidade de gravar uma nova senha. O que de fato aconteceu por trás das câmeras? O site  fez uma redireção através de uma API para utilizar o login pré-existente. Smart isn’t?

Existem outros serviços que também utilizam de APIs para facilitar a nossa vida, por exemplo: quando você entra num site de comércio eletrônico e no ato de pagamento você tem opção de escolher pagamento via PayPal é feito um redirecionamento para o serviço. Com isso o site de origem não precisa se preocupar escrevendo um engine de pagamentos ou se preocupando com as intermináveis regras de segurança necessárias para isso.

A tendência com a concretização da previsão do Gartner do Nexus das Forças é que empresas disponibilizem ainda mais serviços através de APIs .

Quem utiliza serviços de nuvem da Amazon AWS sabe que existe uma API disponível para quase todos os serviços de configuração e deployment de infraestrutura. Imagine quanto tempo administradores de TI poderão economizar automatizando funções repetitivas e de pouco valor para o negócio.

Algumas empresas também estão utilizando conceitos de Open Platform, transformando alguns produtos em contratos públicos de uso e consumo de APIs, tanto o The New York Times quanto o britânico The Guardian tem plataformas abertas de uso de APIs para consumo de parte de seu conteúdo digital, isso tem estimulado os desenvolvedores criarem aplicativos que orbitam ao redor do seu conteúdo.

Imagine uma empresa como o The Guardian que gera conteúdo, disponibilizá-lo através de “contratos” de APIs de forma que múltiplos parceiros e fornecedores possam desenvolver aplicações móveis e web que façam o Mashup deste conteúdo relevantes para determinados tipos de anunciantes e parceiros. E o melhor, abstraindo as questões técnicas e focando no que realmente é core para o negócio, a geração do conteúdo. Essa visão pode até impactar a forma tradicional de venda de anúncios digitais.

Entendo que este caminho ainda não é 100% claro e tangível para as empresas, mas acredito num paralelo histórico para este momento.

As APIs em minha opinião podem representar hoje o que foram as autobahns para a Alemanha na década de 30. Quando Adolf Hitler lançou a pedra fundamental para a criação de um sofisticado plano de interligação de estradas na Alemanha, as Autobahns, ele (o Führer) não tinha ideia que estava sendo lançado o alicerce do domínio mundial da indústria de autos pelos germânicos. Mesmo após o final da segunda grande guerra os resultados de um eco sistema comercial que nasceu orbitando em volta das autobahns ainda da resultados. Você tem dúvidas?

  • Mercedes, BMW, Audi, Porsche, Volkswagen – sem falar das empresas de autopeças.

 autobahn and hitler

As empresas que saírem na frente em conseguir micro segmentar seu conteúdo ou atividades e monetizá-los através de APIs relevantes poderão liderar o respectivo canal de vendas em que atuam. Não é um caminho para todas as empresas de todos os segmentos, mas certamente poderá ser disruptivo em alguns casos.

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