APM – Application Portfolio Management ou Gerenciamento do portfólio de aplicações

APM-resultado

No cenário atual de forte pressão para redução de custos de TI, onde o mercado corporativo brasileiro está encolhendo, é possível notar em conversas com alguns colegas nos mais variados setores da economia que os executivos a frente dos mais variados negócios tem colocado como prioridade a redução dos custos de TI.

Principalmente onde a TI não é “core” do negócio, como por exemplo, a indústria automobilista, aviação, varejo e mídia. Neste cenário a área de TI é pressionada para cortar custos, reduzir ineficiências e promover agilidade nos recursos computacionais. É importante ressaltar que nem sempre a TI é requerida apenas para cortar custos, em alguns momentos a conversa será sobre ampliação do Valor do negócio.

Já faz algum tempo, tive acesso a um relatório da Cisco que afirmava que a maioria das empresas investem mais de 70% dos seus orçamentos de TI para manter seus recursos computacionais existentes “ligados”. Isso mostra que há um déficit gigantesco entre os objetivos de negócios e a necessidade que a TI tem de “manter as coisas funcionando”. Neste contexto, a racionalização e redução de custos de TI é necessária e urgente, como sugestão para atender a esta necessidade sugiro aos colegas Arquitetos e profissionais de TI olhar com cuidado para o gerenciamento do portfólio de aplicações ou sistemas. Apenas para facilitar a leitura e absorção do texto vou utilizar a palavra “aplicativos” no lugar de sistemas e aplicativos.

Mas afinal o que é o APM e porque devemos olhar para este tema?

Se você não possuir um CMDB (do Inglês, banco de dados do gerenciamento da configuração) na sua empresa com a relação das aplicações existentes e suas funcionalidades primárias, você está enrascado, este é o material necessário para começar o trabalho de APM.

O APM fornece aos Arquitetos e interessados o inventário de aplicações e métricas de software da empresa, para ilustrar os benefícios do negócio de cada aplicação e também descrever oportunidades com novas linguagens e métodos de desenvolvimento, além da possibilidade de hospedagem de algumas das aplicações em ambiente Cloud. Este que atualmente representa uma grande oportunidade (Quick Wins)de redução de custos com infraestrutura tecnológica sem a realização de grandes transformações em processos ou aplicativos.
Para desenvolver a processo que irá suportar o APM é sugerido a criação de critérios que sejam relevantes para a análise em questão e a associação dos mesmos com algum algoritmo matemático.

Para suportar o processo minha sugestão é utilizar uma planilha em excel com os critérios e pontuação para a geração dos relatórios sobre o valor de cada aplicação para o negócio e critérios técnicos. É de suma importância que os itens mensurados façam sentido para o negócio e para o objetivo que se definiu como alvo para o trabalho.

Segue abaixo a sugestão de alguns critérios para um trabalho de APM com objetivo de redução do nível de obsolescência tecnológica e redução do TCO. Vou sugerir como arcabouço da análise de critério a utilização de 2 fases do ciclo do ADM – do Togaf 9.1 (Architecure Development Methodology) para compreender os domínios arquiteturais compreendidos na análise em questão.

Arquitetura de Negócio (Fase B do ciclo do ADM):

  1. Disponibilidade do Aplicativo
  2. Nível de Segurança
  3. Backlog de funcionalidades
  4. Suporte do fabricante
  5. Quantas vezes ele é utilizado por mês
  6. Obrigação Legal ou suporte de função de negócio

O resultado deste item significa que quanto mais alta a pontuação mais importante é o aplicativo para o negócio suportado.

Arquitetura de Informação, Dados e Tecnológica (Fases C e D do ciclo do ADM):

  1. Número de Incidentes
  2. Definição de Arquitetura (Em camadas ou monolítica) irá determinar nível de compliance com ambientes em Cloud
  3. Possui Documentação
  4. Problemas de performance
  5. Formas de Integração (SOA, ETL, Web services etc)
  6. Tipo de linguagem e número de linhas de código

O resultado deste item significa que quanto mais alta a pontuação da arquitetura tecnológica mais complexo é para a realização de melhorias ou para efetuar alguma transformação para o modelo em Cloud.

A sugestão é montar um questionário similar aos itens supra citados e atribuir notas conforme cada realidade e assim o Arquiteto poderá se valer não apenas de “feeling” para decidir quais ações tomar sobre uma determinada aplicação. A partir das definições e coleta das informações referente as aplicações o APM auxiliará na determinação das ações que devem ser realizadas para as aplicações. Por exemplo:

  • Investir – Aplicativos vitais para o negócio – core. Tecnologias padronizadas que estão maduras e que são amplamente utilizadas pela empresa e pelo mercado.
  • Manter – Aplicativos estáveis e que atendam a nichos ou processos de negócio bastante específicos. Estes aplicativos não devem ser alvo de novos investimentos e deve ser planejada a sua troca através de roadmap de aplicativos.
  • Refazer – Aplicativos necessários para o suporte de função de negócio mas que atualmente encontram-se em linguagens descontinuadas ou em modelos arquiteturais ultrapassados. O ideal é manter a mesma as funcionalidades contemplando a adoção de linguagem de desenvolvimento ágeis (por exemplo Java J2EE).
  • Desativar – São tecnologias desaconselhadas que não devem ser mais utilizadas. Aplicativos com indicação de desativação. No contexto da transformação para a nuvem, pode ser considerado a substituição do aplicativo existente por um aplicativo em modelo de serviço SaaS.

Quando o relatório qualitativo for finalizado é importante a realização da apuração do TCO dos aplicativos para ter uma visão holística quanto aos benefícios dos aplicativos.

A área de Arquitetura tem papel preponderante na condução e manutenção do Application Portfólio Management.

O objetivo final desta análise é tentar justificar e medir os benefícios financeiros de cada aplicação em comparação com o respectivo TCO (em Inglês – o custo total de propriedade).

Entre os benefícios esperados, vale ressaltar os seguintes:

  • Racionalização no uso dos aplicativos – Sempre que possível eliminar redundâncias;
  • Alinhamento da estratégia de TI com o negócio – O sonho de ouro do ITIL, Togaf e Cobit;
  • Aumento da agilidade no atendimento às necessidades de negócio – KPIs;
  • Melhoria na disponibilidade total do serviço da TI – SLA;
  • Diminuição da complexidade e custo de manutenções e migrações – Keep it Simple:
  • Apuração do retorno dos investimentos por recurso disponibilizado – ValIT.

Um tipo de visão que valoriza a demonstração do APM é consolidação da pontuação da matriz com o TCO de cada aplicativo, e a demonstração dos resultados em perspectiva de linha do tempo ou visão em camadas (cebola) demonstrando a idade de cada aplicativo associado ao resultado consolidado.

 

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