Do que eu falo quando eu falo de Arquitetura de TI

livroarqdeti

Passei bastante tempo trabalhando com infraestrutura de TI e durante minha trajetória profissional eu não encontrava dificuldade em explicar o que eu fazia para as outras pessoas. Quando decidi mudar de área e assumir uma nova função, passei a enfrentar uma certa dificuldade de explicar para os outros o papel da minha área no contexto corporativo. Além disso, meu círculo de pessoas para trocar experiências sobre o meu dia á dia profissional diminuiu bastante o que me levou a reflexão de que a área de Arquitetura de TI ainda tem pouca aceitação nas empresas, talvez pelo alto custo de se montar esta área ou mesmo pela baixa maturidade de TI das empresas.

Fora a tremenda dificuldade de conseguir profissionais com experiência comprovada na área de Arquitetura ou na utilização de frameworks específicos. #tarefaherculia

Afinal de contas qual é a melhor definição sobre a área de Arquitetura de TI e qual terminologia é a mais correta? Verifiquei que a nomenclatura da área irá variar dependendo da empresa e do contexto, mas será que todas trazem o mesmo escopo de atuação e a diferença é mera questão semântica? A seguir veja alguns exemplos.

  • Arquitetura de TI
  • Arquitetura Corporativa
  • Arquitetura Empresarial
  • Arquitetura de Soluções
  • Arquitetura de Integração
  • Projetos técnicos de infraestrutura

Existem várias variáveis para a área de Arquitetura de TI e não é tarefa trivial entendê-las. Como herdeiro de uma herança protestante, Sola Scriptura, fui até os livros para buscar definições simples e claras, mas fiquei bastante intrigado com a falta de consenso sobre o tema. Dos livros que encontrei o que melhor satisfez minha busca foi: Arquitetura de TI – Como Estratégia Empresarial – Jeanne W. Ross, Peter Weill e David C. Robertson. Outra referência preciosa é o ciclo do ADM – Architecture Development Method-  do Togaf 9.1 que aborda  os 4 domínios de arquiteturas: TI, Dados, Informações e Negócios.

Avançando na minha busca bibliográfica também encontrei outras fontes (Zachman, Ross, Kaisler e outros) e notei que dependendo do framework de referência e do autor as definições podem variar , então cheguei a conclusão de quenão há consenso sobre as definições de Arquitetura e cada autor aborda de uma forma diferente o tema.

Dentre este universo de definições e cenários possíveis decidi adotar no meu dia a dia profissional  a terminologia ; Arquitetura de TI que encontrei no livro Arquitetura de TI – Como estratégia Empresarial, entendi que a Ross/Weill e o Robertson abordaram o tema de forma mais holística e de fácil customização (tailored) ao cenário corporativo que eu vivencio. Sobre as divisões possíveis, está o guarda-chuva da Arquitetura da unidade de TI.

  • Arquitetura de Negócios (levantamento de processos, acordos de escopo etc) – Conforme Ross/Weill e o Robertson;
  • Arquitetura de Soluções ou Aplicações (aplicações individuais e suas interfaces) – Conforme Ross/Weill e o Robertson;
  • Arquitetura de Informações, dados e integrações (aqui estão as iniciativas de SOA e ETL) – Conforme Ross/Weill e o Robertson;
  • Arquitetura  Tecnológica que compreende a parte de tecnologia (servidores, rede, storage, DB e etc) – Conforme Ross/Weill e o Robertson;
  • Governança de Arquitetura (padrões, inovação de TI e os princípios de Arquitetura) – Conforme ADM do Togaf fase A.

Acredito que todas estas definições e partes que compõem a unidade de Arquitetura de TI não serão muito úteis para explicar para uma pessoa leiga qual é a função e escopo da área de Arquitetura de TI, mas para as pessoas envolvidas, de alguma forma com o contexto da área, ler o livro da Ross/Weill e Roberton e o ADM do Tagaf vão trazer luz sobre as dúvidas que pairam sobre as indefinições e possibilidades. Espero também ter contribuído com este objetivo.

Certamente, as visão da Ross/Weill e Roberton é apenas uma das diversas existentes para se elaborar uma atuação estratégica de Arquitetura de TI. Quanto maior o número de fontes você tentar obter para elaborar sua análise, mais verdadeira ela será e melhores resultados alcançará. Caso você tenha interesse em entender um pouco mais desta jornada e tenha um nível bom de compreensão em Inglês, sugiro assistir o vídeo da Dra. Ross sobre a jornada da Enterprise Architecture.

Mais uma vez, não me cabe afirmar que a minha opinião é a verdade, até porque acredito que o conceito de verdade está ligado a totalidade do conhecimento que é algo impossível de alcançar e como já disse o filósofo Sócrates a bastante tempo atrás, tudo que eu sei é que eu não sei nada.

Este post baseia-se na minha própria experiência profissional e na bibliografia citada.

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3 Resultados

  1. Denise disse:

    Puxa bastante frustrante esta área de vocês!

  2. Priscila disse:

    Ótimo texto. Trabalhar nessa área, as vezes, é mesmo frustrante, mas acredito que está mais relacionado a baixa maturidade de TI das empresas do que ao alto custo de se montar esta área. A maioria das empresas desconhecem o que é “Arquitetura de TI” e isso dificulta muito o nosso trabalho.

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