A Navalha de Ockham, Lutero, Alexander von Humboldt, Clausewitz e a Prússia.

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Simplex veri sigilum é o modo romano de falar KIS (keep it simple). O significado literal do provérbio latino – a simplicidade é a marca da verdade – exprime um artigo de fé: o melhor teste para a verdade, quer seja em ciência ou em questões humanas é a simplicidade. Minha proposta com este Post é provocar Arquitetos e profissionais de TI a utilizar deste princípio durante o processo de idealização, manutenção e determinação de problemas em soluções de TI.

Eu ouvi a primeira vez sobre a Navalha de Ockham no seminário quando assisti (numa aula de Teologia Sistemática) o filme: O Contato – de Carl Sagan – o filme conta uma história de uma cientista que desde criança busca evidências que comprovem a vida extraterrestre. Sensacional e intrigante, há um embate entre a ciência e a fé, neste momento o princípio da Navalha de Ockham é explicado e utilizado, vale a dica, para aproveitar com um balde de pipoca.

A referência que encontrei sobre a Navalha de Ockham explica que o termo deriva de uma homenagem ao erudito monge franciscano William de Ockham (1285 – 1347). Ele era um apaixonado pesquisador e defensor da lógica na procura da verdade que aplicou suas convicções à teologia com tal fervor e fidelidade que foi excomungado da igreja católica e mais tarde admirado e citado por Martinho Lutero, o grande reformador alemão.

Também conhecida como lei da parcimônia ou lei da simplicidade o principio exige que, ao escolher entre duas teorias concorrentes que expliquem tão bem a questão em pauta, deve-se preferir a mais simples.

O próprio Lutero fez uso do princípio da simplicidade ao resumir todas as exigências, liturgias e cerimoniais da igreja católica romana em 5 “pilares” que compreendem toda a fé protestante.

  1. Sola Scriptura
  2. Sola Fide
  3. Sola gratia
  4. Solo Christo
  5. Soli Deo Gloria

 

Alexander von Humboldt, naturalista e explorador Prussiano afirmou em consonância com a teoria da Navalha de Ockham que a natureza abomina o excesso de complexidade e que, por consequência, a teoria mais simples tem maior probabilidade de ser verdadeira.

Além de Lutero e von Humboldt outro grande Prussiano também pensava de igual maneira, foi Carl Philipp Gottfried “Gottlieb” von Clausewitz.

Clausewitz foi um grande general Prussiano que redigiu um dos mais respeitados tratados sobre a Guerra, no alemão “Das Krieg”. Para Clausewitz “Tudo deve ser tornado o mais simples possível, mas nada além disso”. Clausewitz encoraja o estrategista a levar em consideração sob uma luz algo diferente, não como teste de veracidade nem medida de uma diligencia, mas como questão de viabilidade prática. A questão é: dos planos com exigências comparáveis sobre os próprios recursos e com igual impacto sobre o adversário qual deve ser o preferido? Sua resposta está estreitamente correlacionada com sua noção de atrito.

O plano mais complexo tem mais enfeites, mais pontas soltas e mais contingências; exige mais em termos de coordenação e tem mais possibilidade de desandar antecipadamente sobre força do atrito. Ao minar o pouco controle e o domínio que se tem em situações estratégicas de incerteza, a complexidade pode parecer elegante no papel, mas acaba levando ao fracasso das próprias iniciativas no campo.

Me espanta como é comum para nós Arquitetos de TI, nos gabarmos por desenhar soluções e topologias super complexas e no final ficarmos refém das dificuldades que nós mesmos criamos. Isso é bastante comum, ambientes que poderiam ser simples e funcionais são construídos com 60 servidores em camadas distintas e vários appliances para funções que poderiam estar consolidadas em 8 ou 10 pedaços.

Se a simplicidade guarda a promessa de verdade na ciência, naturalismo, religião e na estratégia Da Guerra, por que é tão difícil encontrá-las em nosso dia a dia? A simplicidade vitoriosa que buscamos, a simplicidade nas soluções e projetos, é na verdade, bem mais complexa e rara. É o resultado de uma mente bem organizada que não coloca os interesses e orgulhos pessoais acima da missão e objetivos da empresa e do bem comum.

“for the Greater Good”. (APWBD)

 

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1 Resultado

  1. Marco Reis disse:

    De todos os posts que eu ví no seu site este foi o que eu gostei mais, é impressão minha ou você é alemão ? Muito germânico

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