Insourcing ou Outsourcing, eis a questão

Para a maioria das pessoas, tomar decisões é muito difícil. E no ambiente de trabalho este desafio é ainda maior, levando em consideração que empresas são feitas por pessoas, isso faz com que a maioria das empresas sofram do mal da procrastinação, postergando situações onde as decisões são necessárias! Isto tem determinância sobre a vida das empresas, pois adiar decisões neste mundo globalizado e conectado não é uma opção sustentável no longo prazo. Empresas procrastinadoras acabam substituídas por empresas que sabem tomar decisões, é claro que decisões envolvem o apetite aos riscos. É fato de que a vida exige que as decisões sejam tomadas, mesmo quando são difíceis e com resultados amargos. Na área de TI não é diferente, a questão é saber como tomar decisões, antes que o mercado ou alguém decida por nós.

Neste post vou discorrer sobre uma difícil decisão: manter a TI interna (Insourcing) ou terceirizar com um fornecedor de TI (Outsourcing)? Esta questão entrou na minha vida em 2003 quando passei por uma terceirização. Nesta época eu e os meus colegas não entendíamos como o Outsourcing poderia ser bom para a nossa empresa. No episódio que vivenciei o principal direcionador era a eliminação do CAPEX e redução do OPEX.

Para quem não está acostumado com estes termos OPEX e CAPEX, ambos os termos referem-se ao orçamento das empresas, algumas empresas têm seu orçamento adaptado para o CAPEX que é Investimento (normalmente one time) e outras ao OPEX que refere-se as despesas operacionais recorrentes (normalmente mensais).

Um contrato de Outsourcing é OPEX, é o pagamento mensal por um serviço de TI (que pode incluir hardware, software e peopleware) ao invés de investir emhardware, depreciação e software todos os anos. Vale ressaltar que mesmo num cenário onde o CAPEX é a opção desejada as equipes técnicas internas são custos recorrentes e mensais.

O que me motivou a escrever este post foi uma discussão em nosso evento da TI corporativa no final de Outubro de 2014, neste evento um dos executivos da nossa empresa foi inquirido sobre o modelo de contratação de TI. Sua resposta foi muito inteligente e me inspirou a escrever este post. No final prometo revelar a resposta.

Decidi então escrever este post para jogar luz sobre esta questão que orbita ao redor dos executivos de TI, porém a questão é bastante complexa e não existe uma resposta pronta que sirva de solução definitiva para todas as empresas independente do cenário em que estiver inserida.

Voltemos então a questão, qual das alternativas é a melhor, Insourcing ouOutsourcing? Devido a dinâmica do mercado e sua realidade financeira, ora vemos as empresas optando pelo Insourcing e ora pelo Outsourcing.

Sempre acreditei que empresas em que a TI é core business do negócio (por exemplo: instituições financeiras, empresas de comércio eletrônico e portais de conteúdo internet) a opção pelo Outsourcing não parecia ser a melhor escolha. Mas hoje vemos algumas instituições financeiras fazendo Outsourcing de algumas áreas da TI. Por outro lado, empresas convencionais (por exemplo: logística, automobilista e alimentício) onde notadamente a TI não gera um diferencial competitivo talvez o cenário de Outsourcing seja mais aconselhável. Lembro-me de uma frase do lendário Jack Welch ex CEO da GE: “vale à pena terceirizar a cozinha caso o seu negócio não seja um restaurante e gaste os seus melhores esforços para reforçar o Time to marketing do que é core para o seu negócio, mantenha somente o core do negócio dentro de casa, todo o resto ou venda ou feche”. Isso é especialmente verdade quando pensamos num Grupo empresarial que abrange vários segmentos distintos e é especialista em apenas um deles.

Mas vale ressaltar que mesmo num cenário de Outsourcing da TI não são todas as áreas que devem ser alvo para uma eventual terceirização, dentre as áreas da TI que eu não acredito que devem ser terceirizadas vale destacar: Governança, Arquitetura, Segurança da Informação entre outras. A recomendação que li num documento do Gartner é que o recomendado é manter a inteligência e as áreas que possuem informações privilegiadas dentro da empresa.

Sobre a qualidade do serviço da TI, não acredito que existe uma máxima que dite que todo o Outsourcing irá apresentar uma queda na qualidade do serviço da TI, eu já vivenciei os 2 cenários, tanto a queda da qualidade quanto a melhora e pessoalmente acho que isso tem a ver com a maturidade que a área da TI possui no momento da terceirização. Caso estejamos tratando de uma TI defasada e que não siga modelos operacionais como ITIL, Cobit e Togaf, a terceirização com um grande fornecedor com maturidade nestes processos irá trazer uma melhor significativa para a empresa, ao mesmo passo que um processo realizado com único objetivo de reduzir custos poderá ser catastrófico para a empresa e em algumas vezes ocasionando em rollback do modelo ou troca do fornecedor com litígio contratual.

Para ter um final feliz num Outsourcing é necessário que o corpo de gestores da empresa tenha foco total na gestão, planejamento e organização. E para que isso ocorra é fundamental um bom contrato com métricas bem definidas e um controle apurado do SLA (Nível de serviço). Caso a equipe interna da empresa fique disputando com o fornecedor do Outsourcing, os custos irão aumentar exponencialmente e a qualidade irá piorar muito, eu já vi diversos aforismos comparando esta situação com o matrimônio.

Voltando a pergunta do executivo sobre qual o modelo é o melhor, sua resposta foi: talvez nenhum dos 2, ou um pouco dos 3 modelos. Como assim? Há uma inovação que promete acabar com esta dicotomia entre o In e o Out, é a oferta de serviços na nuvem, tanto o IaaS quanto o SaaS, pois nestes 2 cenários tanto o hardware, quanto licenciamento e peopleware podem ser ofertados sem a necessidade de uma equipe interna.

Fizemos alguns estudos com cenário de SaaS e IaaS gerenciado onde as reduções sobre o cenário de Outsourcing chegava até 30% de redução de TCO. Se o foco da empresa for este vale a pena se aprofundar no estudo.

No fundo as empresas grandes vão manter um mix das 3 opções conforme o ambiente e as necessidades de momento, até porque não serão todos os sistemas e aplicativos que são candidatos a migração para nuvem e o custo de transformação talvez não justifique fazendo com que seja necessária a manutenção de uma infraestrutura para disponibilização do legado.

É isso, espero que eu tenha ajudado a deixá-los um pouco mais confusos, deixo uma frase do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe.

“No momento em que realmente nos decidimos, então o universo começa a agir também. Todo tipo de coisa começa a ocorrer, coisas que não ocorreriam normalmente, mas que acontecem porque você tomou a decisão. Uma série de eventos flui dessa decisão, levantando a nosso favor todo tipo de imprevistos, encontros e assistência material que nenhuma pessoa no mundo poderia planejar que ocorresse na sua vida. Seja lá o que você possa fazer, ou tenha o sonho de fazer: comece. O arrojo tem dentro de si inteligência, poder e mágica. Então comece agora”.

 

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1 Resultado

  1. Silvia Guines disse:

    As empresas de outsourcing quase acabaram conosco, as vagas de emprego somem a cada dia e a qualidade so piora… agora tem mais esta opcao de mandar pra nuvem, vamos ver onde vamos parar.

    Sempre diminuindo a qualidade para reduzir TCO, onde isto vai parar

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