A Arquitetura de TI e a Maiêutica

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Que tipo de perguntas você faz? Em minha experiência, pude notar que a maioria das pessoas não fazem uma reflexão sincera e profunda sobre esta questão. Afinal de contas, não é fácil mesmo encontrar esta competência. Think about it.
Você já viu alguém declarar literalmente em seu curriculum vitae: tenho a habilidade em fazer boas perguntas. Da mesma forma, não aprendemos a fazer boas perguntas em nossas escolas, pelo menos não na educação formal. Me lembro da crítica que o educador Rubem Alves fazia sobre o conceito de grade curricular, vale a pena investigar sobre isto, afinal fomos furtados desde a infância de aprender as melhores habilidades.

Saber fazer boas perguntas é parte fundamental no trabalho de um Arquiteto de TI– o que sugere que talvez valesse a pena dar a esta habilidade um pouco mais de foco.

Sócrates, o filósofo, foi um mestre na arte de fazer boas perguntas, há quem diga que este foi o motivo dele ser condenado a morte. Sua arte recebe o nome de Maiêutica, que significa “Dar a luz” uma espécie de parto intelectual, da procura da verdade. Sócrates executava o seu método em dois momentos: No primeiro, ele levava os seus discípulos a duvidar de seu próprio conhecimento e no segundo, Sócrates os levava a conceber, de si mesmos, uma nova ideia ou uma nova opinião sobre o assunto em questão. Como ele fazia isto? Através de questões simples, inseridas dentro de um contexto determinado, a Maiêutica dá à luz a ideias complexas.

Eu tive um gestor na Siemens que dizia o seguinte: “Quem faz as perguntas está no controle, mas não basta fazer qualquer pergunta, apenas as perguntas poderosas“.

Confesso que durante muito tempo eu refleti sobre esta frase e em alguns momentos me lembro de ter falhado na prática de questionar com efetividade. Por exemplo, não faz muito tempo que eu participei de uma reunião onde uma pessoa da minha equipe estava apresentando o status de um projeto com o “sponsor” que é um executivo sênior da empresa que trabalho. Durante a apresentação do status, ficou evidente a partir das reações do “sponsor” que o executivo estava desconfortável com a direção que o projeto estava tomando. A reunião terminou de forma abrupta sem que tivéssemos um retorno favorável quanto a condução do projeto. O executivo adiou a aprovação dos próximos passos do projeto até que ele tivesse uma visão mais nítida do mesmo. Quando eu o encontrei num momento de descontração no café fui capaz de explicar o raciocínio por trás do plano e convencer o executivo que o time do projeto iria de fato atingir os objetivos, e foi nos dada a aprovação formal. Qual foi a minha estratégia? Fazer as perguntas corretas para conseguir dirimir as dúvidas quanto á condução do projeto.

Em vários momentos do ciclo do ADM do Togaf  é necessário que o Arquiteto consiga “trazer a luz” no conceito Socrático as informações necessárias para que os próximos passos de um projeto possam acontecer de forma efetiva e sem incorrer em retrabalhos ou procrastinação.

O Arquiteto não deve ser uma figura passiva, pelo contrário ele deve ser Protagonista, um questionador incansável não apenas dos avanços do trabalho, mas também ajudando tanto os colegas de TI quanto as pessoas de Negócio a transformar em Contratos de Arquitetura os requisitos de negócio e as entregas de TI.

E isto não significa que o Arquiteto deva ser  uma pessoa grosseira ou manipuladora da palavra, pelo contrário, ele deve desenvolver a habilidade de sondagem das expectativas e necessidades para acelerar o progresso do ADM, eliminando suposições inconscientes, axiomas e paradigmas.

Isto está em contraste com alguns Arquitetos que fazem perguntas apenas para provar que eles são os mais inteligentes e informados na sala ou para humilhar de forma deliberada alguém. Por outro lado, dos melhores Arquitetos que já tive o prazer de trabalhar vi uma admirável capacidade de envolver-se em diálogo Socrático ajudando a construção do conhecimento de forma coletiva e democrática, o que proporcionou para todos os envolvidos o experimentar do – MasterMind – conhecimento coletivo para uma finalidade específica.

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