Teoria das Restrições, A Meta – John Galt e Eliyahu Goldratt.

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Eu estava começando a escrever um post sobre SOA e as possibilidades de integração em plataforma Microsoft, este é um assunto que me interessa bastante e tenho dedicado considerável tempo ao estudo deste assunto. Neste interim uma pessoa muito próxima a mim faleceu, meu tio João, meu tio era uma pessoa muito sábia e justa que foi um exemplo paterno para mim. Ele me incentivou a começar a ler, jogar xadrez e crescer como indivíduo. Das leituras que vivenciamos em nossa tertúlia literária posso destacar: Herman Hesse (em 1º lugar), Morris West, Goethe, Homero, Nietzsche, Júlio Verne, Sven Hassel, Günter Grass entre outros. E quem é John Galt?

Quando fiz 14 anos meu tio João me deu um presente, alguns livros sobre melhoria de processos, qualidade total e automação industrial (linguagem ladder). Confesso que na época não entendi ao certo o objetivo do presente, pois eu já trabalhava com TI e demonstrava grande entusiasmo com a minha escolha.

Por consideração ao meu tio, decidi começar a leitura pelo livro que me pareceu mais palatável, A Meta de Eliyahu Goldratt, por incrível que pareça o livro é um romance, como assim? no livro o autor descreve a vida de um administrador industrial e os desafios para aumentar a eficiência do processo produtivo. Logo nas primeiras páginas o livro me cativou e consegui concluir a leitura. Leitura boa é assim, te prende de uma forma que é impossível abandonar o livro. Livros tem este poder de alienação.

Neste post vou abordar o tema: Teoria das Restrições (do Inglês – Theory of Constraints ou TOC). A teoria das restrições se baseia na identificação de gargalos (do Inglês bottlenecks) dos processos produtivos. Segundo o autor uma restrição ou gargalo é qualquer coisa que impede ou limita a empresa (ou solução de TI) na direção da realização de seus objetivos, Das Kapital. Existem dois tipos básicos de restrições: físicas e não-físicas. As restrições físicas na maior parte das vezes estão relacionadas a recursos: máquinas, equipamentos, veículos, instalações, sistemas etc. As restrições não-físicas podem ser a demanda por um produto, um procedimento corporativo ou mesmo um paradigma mental no encaminhamento de um problema.

No caso narrado no livro, após a determinação e tratativa dos gargalos o protagonista da história passa pela tentação de aumentar a produção de forma a exceder a demanda de mercado, nesta etapa Goldratt faz o uso de um conceito que não é invenção sua mas que faz total sentido no processo produtivo, o just in time. O que é isso? Está relacionado com o processo produtivo e a correta determinação de que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa e principalmente nada além da quantidade exata demandada. Menos as vezes é mais.

Isso significa que o processo ficará ajustado para maximizar a produção necessária. Fazer somente o necessário. Fazer produtos além da demanda significa ter que estocar, e estoque de produtos é dinheiro parado, e dinheiro parado é dinheiro perdido há um custo de oportunidade de 15% aa (no mínimo) sobre o total dos ativos estocados.

Em TI temos momentos que possibilitam a identificação de pontos de estrangulamentos, ou como diria Goldratt: Gargalos, seja em aplicativos ou infraestrutura tecnológica. Em seu livro, ele afirma que a restrição é o que determina o desempenho global de uma empresa. Trazendo isto para a realidade de TI o menor servidor ou componente de uma solução de TI irá determinar a performance da solução e processo como um todo.

Por isso é tão importante reduzir ao máximo os SPOFs (single point of failure), passar pela fase de levantamento de requisitos (sugerida no ADM do Togaf 9.1) e fazer a gestão da capacidade (da ITIL) nos projetos e ambientes de TI para evitar perdas de desempenho ou disponibilidade.

Sustentado pelos pressupostos teóricos da Teoria das Restrições posso afirmar que o aumento de produtividade em qualquer situação e, especialmente, em contextos de turbulência econômica (Brasil da Dilma, 2014) é meta fundamental e estratégica a ser perseguida pelas empresas e área de TI. Sendo assim, é papel de Arquitetos de TI dimensionar ambientes para adequarem-se a necessidade sem exceder o necessário e sem faltar. Atualmente as soluções em cloud possibilitam a rápida disponibilização e desprovisionamento de recursos conforme a necessidade e velocidade do negócio.

Precisamos estar atentos para utilização destas possibilidades: de auto-scaling de infraestrutura e auto-desprovisionamento de estrutura de homologação e desenvolvimento quando não for necessário, dispor destes recursos nos possibilita colher economias de TCO e auxilia na agilização do deploy de soluções de TI em momentos de sazonalidade.

Cloud, SPOFs, Auto-scaling, DevOPs, SOA, Orquestração, SaaS, PaaS e IaaS são ingredientes que devem ser considerados para adequação Just in Time de recursos de TI.

In memoriam – John Galt o Alemão, meu tio amado e mentor.

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1 Resultado

  1. Sergio Rosa disse:

    Meus sentimentos por sua perda, belo texto.

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